Área de Concentração e Linhas de Pesquisa

Área de Concentração: Ciência Política

A opção por uma só área de concentração, em Ciência Política, traduz o propósito de aprofundar o domínio do conteúdo disciplinar numa acepção abrangente. Encara o diálogo interdisciplinar em perspectiva universitária, da interlocução sólida com áreas vizinhas (e cooperação mais estreita com as áreas de Relações Internacionais e das demais Ciências Sociais, já estruturadas em outros programas na UFBa), porém, substantivamente ancorada no conhecimento produzido no âmbito de cada disciplina. 
 
Partindo de uma reflexão epistemológica comum para compreender os processos históricos e sua interseção com os mundos das ideias, das instituições políticas e dos movimentos políticos, a área de concentração busca enfrentar questões teóricas e analíticas que apontem para a importância dos estudos sobre fatos e processos da política como esfera específica de atividade humana e, de modo especial, sobre as democracias e seus desdobramentos contemporâneos.
 
Uma base epistemológica comum se exprime numa definição abrangente da Ciência Política, que possa contemplar a pluralidade de temas e questões trabalhados pelos professores do DCP/UFBA e o faça de modo devidamente articulado numa agenda acadêmica de ensino e pesquisa. Isso decorrerá de uma compreensão da disciplina que seja ampla e recuse dicotomias ou superposições estanques entre teoria e empiria. Pesquisas científicas e atividades didáticas de cunho teórico devem ter convívio e diálogo fluentes com aquelas situadas no plano da análise política e institucional, acolhendo diferentes abordagens teóricas, perspectivas analíticas e estratégias metodológicas.  
 
Propõe-se que tal compreensão se concretize nas linhas de pesquisa a seguir apresentadas. A ideia é que abriguem o diálogo que se apontou acima. Em que pese a ênfase particular de cada qual, elaborações teóricas e análises voltadas à empiria não devem ser estrangeiras a qualquer uma delas.

Linhas de pesquisa

A definição das linhas de pesquisa traduz a compreensão de que teoria, instituições e análise política são dimensões que não se contrapõem, antes se integram, no escopo de uma ciência com pretensões normativas e positivas. As linhas “Democracias e participação política”, “Instituições políticas e políticas públicas” e “Teoria e pensamento político” foram concebidas de modo a permitir a concatenação das três dimensões sem prejuízo das definições que caracterizam cada linha. Assim, o foco, no caso da primeira linha, na diversidade de experiências democráticas existentes, não a dispensará de manejar conceitos capazes de lidar com uniformidades captadas entre diferentes manifestações empíricas, nem de visitar temas centrais da teoria democrática.  No caso da segunda linha, o próprio campo temático das instituições e políticas públicas já ostenta as duas dimensões acima citadas e, no da terceira linha, a reunião dos termos “teoria” e “pensamento” denota que a essa linha também se empresta o mesmo sentido: o de que as abordagens teórica e analítica não se desgarram no âmbito da Ciência Política.
 
  1. Democracias e participação política: As pesquisas dessa linha tratam de problemas das democracias contemporâneas e dos processos de participação política nelas incidentes, envolvendo temas como direitos políticos, civis e sociais, partidos políticos, mídia e comportamento político e qualidade da democracia. Desenvolvem-se aqui estudos sobre movimentos sociais de contestação política, participação política, deliberação, representação e representatividade. Pretende-se incorporar às discussões presentes nessa linha, os recentes desdobramentos de questões que envolvem os processos de globalização, a partir dos estudos sobre a internacionalização dos movimentos sociais, bem como a análise das experiências democráticas latino americanas em seu período recente.
  2. Instituições políticas e políticas públicas: sua atenção volta-se ao estudo das instituições políticas em contextos democráticos, instituições políticas brasileiras, inclusive na sua dimensão subnacional. Tem como objetivo a análise de processos que caracterizam a política contemporânea, com ênfase nos três poderes e suas relações recíprocas, no federalismo, nos partidos e sistemas partidários. Também recupera o debate de como as instituições moldam o comportamento dos atores políticos (presidentes, eleitores, legisladores, ministros, burocratas e grupos de interesses), afetam o desempenho dos governos; e contribuem, ou não, para a estabilidade e efetividade das democracias. No que tange às políticas públicas, congrega as investigações sobre Estado e governo, incluindo análises sobre burocracia, processos decisórios, as dinâmicas no interior do Estado e políticas sociais.
  3. Teoria e pensamento político: Esta linha de pesquisa se organiza a partir de três eixos principais: a) teoria política normativa, que trata de temas como os fundamentos da obrigação política, direito natural, princípios de justiça, critérios de legitimação para o exercício do poder e matrizes da teoria democrática; b) história das ideias políticas, que abarca estudos centrados na interação entre processos políticos e sua representação, a genealogia e recepção de conceitos e doutrinas em contextos comparados, a relação entre memória e política; c) pensamento político brasileiro e ibero-americano, que tem como foco as especificidades da produção intelectual local e estuda as linhagens constitutivas do pensamento político brasileiro, os debates em torno das dicotomias centralização/descentralização, atraso/moderno, americanismo/iberismo e democracia/autoritarismo.